Como coordenar projetos interdisciplinares na escola
Neste texto vamos compreender como se dá a coordenação de projetos interdisciplinares na escola. Portanto, vamos compreender o papel do coordenador dentro de uma perspectiva de projetos pedagógicos.
No entanto, para entendermos a construção de uma projeto interdisciplinar dentro da escola precisamos saber que o coordenador tem um papel específico dentro da tríade gestora – diretor/coordenador/supervisor escolar.
Neste sentido, é preciso saber que o coordenador pedagógico precisa ser especialista em diversas didáticas e ser capaz de estabelecer uma ponte comunicativa entre os professores, diretor e comunidade. Assim, o coordenador transforma a escola em um espaço de aprendizagem em um âmbito global.
Porém, quando falamos de projeto interdisciplinar, o coordenador precisa assumir um papel de mediação entre professores de diversas disciplinas para construir projetos que ofereçam uma experiência edificante para os alunos dentro de vários objetivos.
Estes objetivos precisam estar relacionados com o conhecimento, interação, inclusão e diversidade.
Coordenação e disciplinaridade
Primeiramente, podemos definir coordenação pedagógica, de uma maneira geral, como um auxílio permanente e continuado ao trabalho docente. Este trabalho de mediação do coordenador precisa visar a articulação e a convergência dos professores em torno de objetivos.
A princípio estes objetivos giram em torno da Proposta Político Pedagógica (PPP) que é formulada pelos atores escolares juntamente com o coordenador. Vale lembrar que nas diretrizes formuladas pela Secretaria Estadual de Ensino está o incentivo à comunicação entre os membros da equipe docente em torno da reflexão sobre os objetivos da escola.
Portanto, a coordenação pedagógica na elaboração de projetos interdisciplinares precisa ser acima de tudo cooperativa, pois atualmente o princípio norteador da educação é a gestão democrática.
Neste sentido, o papel do coordenador pedagógico diante de projetos interdisciplinares é transformar o meio educacional viabilizando práticas de projetos que abranjam várias disciplinas escolares.
Quando falamos de interdisciplinaridade especificamente falamos de um projeto que perpassa várias áreas do conhecimento. Neste sentido, um projeto interdisciplinar está de acordo com as novas óticas pedagógicas.
Ou seja, os projetos interdisciplinares rompem com o modelo ultrapassado de se pensar a educação fechada especializada em compartimentos estanques do conhecimento que eram organizados de forma linear.
Neste sentido, para coordenar projetos interdisciplinares na escola é preciso ter um olhar para o cotidiano e para realidade que envolve o ser humano. Esta realidade não é simples, ela é complexa e feita de informações entrelaçadas.
Assim, a realidade cotidiana do ser humano não pode estar contida somente em departamentos específicos como ciências humanas ou ciências exatas. A realidade mistura os elementos do conhecimento e nós interagimos com ela em um processo global cognitivo. Este processo abrange uma vasta gama de fenômenos estudados pelas mais variadas ciências e epistemologias.
Muitos elementos que interagimos por meio da realidade são por vezes antagônicos e bipolares que na acepção do filósofo Edgar Morin fazem do homem um “homo Complexus” (MORIN 1999, p.30-32).
Portanto, a interdisciplinaridade nas escolas é uma ação educativa indispensável na nova ótica pedagógica, e o coordenador é a principal figura nesse processo, pois ele fará a mediação na construção de muitos projetos pedagógicos.
História dos projetos interdisciplinares no Brasil
O conceito de interdisciplinaridade chega ao Brasil por volta de 1960, contudo, esse conceito chega da europa de maneira reduzida e distorcida. Ou seja, o modelo é aplicado de maneira simplificada seguindo um modismo e com uma visão homogeneizadora.
A partir dessa primeira aplicação da interdisciplinaridade no Brasil, procurou-se diminuir os problemas de uma visão limitada e simplificadora da ação interdisciplinar. Neste sentido, a partir de 1970 algumas propostas foram tomadas a fim de aprofundar as práticas interdisciplinares.
- Explicitação filosófica: Em 1970 procurou-se uma definição de interdisciplinaridade.
- Busca de uma diretriz sociológica: na década de 80 apontou-se algumas contradições no modelo interdisciplinar e o foco foi a procura de um método para a sua aplicação.
- Busca de um projeto antropológico: Esta busca figurou-se na busca de uma teoria para a interdisciplinaridade na década de 90.
Objetivos dos projetos interdisciplinares na escola
Antes de abordar os objetivos das ações disciplinares na escola, é preciso ter em conta que a interdisciplinaridade precisa ir além da mera justaposição de disciplinas. Ou seja, precisa integrar as disciplinas na compreensão dos fenômenos que perpassam a realidade compreendendo suas causas e fatores.
Além disso, é preciso o trabalho com todas as linguagens necessárias para a constituição do conhecimento e para estabelecer a comunicação e concomitância de significados com o registro sistemático de resultados.
Neste sentido, é preciso levar em consideração as especificidades de cada disciplina e não diluir as características de cada disciplina em um conhecimento sem base e sem fundamentos.
Por isso, a melhor maneira do trabalho de coordenação é mediar a construção de um projeto com um grupo de professores especialistas.
A partir dessa explicitação da interdisciplinaridade, vimos que o processo de um projeto interdisciplinar precisa ser profundo no sentido de não deixar escapar o que é significativo de cada ciência.
Portanto os objetivos principais da prática interdisciplinar na escola são:
- Integrar os agentes presentes no ambiente escolar
- Desenvolver projetos comuns que se harmonizem com os conteúdos expostos em sala de aula
- Eliminar o isolamento dos professores em suas especificidades teóricas, ampliando o conhecimento para além de suas fronteiras.
- Aproximar o conhecimento do cotidiano dos alunos e problematiza-lo
- Transformar a escola que agrega conhecimentos para a escola que sistematiza conhecimentos.
Etapas importantes para elaborar um projeto interdisciplinar
Para quem vai coordenar um projeto interdisciplinar na escola – seja um professor coordenador ou o próprio coordenador da escola – é preciso estar ciente de alguns fatores como; urgência de uma temática; problemas de uma dada comunidade; disponibilidade de professores; interesse e curiosidade dos alunos..
No entanto, é preciso seguir algumas etapas para que o projeto como um todo seja cumprido. Entre elas estão:
- O coordenador do projeto identifica entre os alunos os temas que despertam maior interesse.
- Convite aos demais professores para a realização do projeto
- Formar uma equipe de assessoramento e monitoria: Professor coordenador, professores de disciplinas pertencentes ao projeto e técnicos convidados para palestras e encontros.
- Formar grupos de trabalhos de alunos que serão divididos por funções: pesquisa, produção e recursos materiais.
- Agendar reuniões com a monitoria e com grupos de alunos
- Estabelecer as problemáticas do tema
- Elaborar as justificativas e os objetivos
- Levantar os referenciais teóricos
- Definir uma metodologia para a realização do projeto
- Elaborar um cronograma de ações
- Executar o cronograma
- Avaliação de resultados: Alunos fazem auto-avaliação; professores avaliam alunos; professores e alunos avaliam o projeto.
Interdisciplinaridade e superação da fragmentação do conhecimento
Vimos até aqui o conceito de interdisciplinaridade e sua história no Brasil e também vimos seus principais objetivos e suas etapas de realização. Porém, é preciso entender a interdisciplinaridade como uma forma de superar a fragmentação do conhecimento.
No entanto, esta superação vai de encontro ao entendimento do conhecimento como um resultado histórico das ações dos homens na produção pela existência. Neste sentido, para realizarmos um projeto interdisciplinar que cumpra com o objetivo de romper fragmentações do conhecimento, precisamos entender o conhecimento para além das sistematizações didáticas.
Além disso, um projeto interdisciplinar se mostra eficaz quando se oferece o conhecimento para a apropriação do aluno. Este fato promove a sua emancipação e o seu processo de ver-se como um sujeito histórico que dialoga com o conhecimento.
Interdisciplinaridade como promotora da aprendizagem
Diante da pergunta – “ A interdisciplinaridade promove a aprendizagem?” – precisamos avaliar os fatores que envolvem o aprendizado e a cognição.
Para despertar o interesse da criança para o conhecimento é preciso linkar o conteúdo com a realidade cotidiana desta. Assim, quando fazemos esta ligação a demanda interdisciplinar surge automaticamente.
Ou seja, os fenômenos do cotidiano, sejam naturais ou sociais, não são explicados somente por uma disciplina.
Quando os professores promovem o aprendizado ajudando os alunos acessarem os seus conhecimentos prévios, podem construir projetos interdisciplinares a fim de oferecer oportunidades para organizar e armazenar o aprendizado.
Diante desses fatos, podemos responder a pergunta inicial positivamente e podemos acrescentar várias justificativas como:
- A interdisciplinaridade promove a aprendizagem pelo fato do conhecimento em si não ser algo fragmentado, pois o estudo de qualquer realidade envolve uma gama de fatores ligados a muitas disciplinas.
- A interdisciplinaridade é importante para entender temas ambientais, sociais e políticos.
- Promove uma educação participativa e transformadora
- Fornece uma análise crítica da realidade
- Desenvolve ações conjuntas para solucionar problemas e modificar situações
Conclusão
Para concluir, esse texto é importante acrescentar que para a formação de projetos interdisciplinares no âmbito escolar é preciso que esses projetos estejam em concordância com o Projeto Político pedagógico (PPP) da escola.
Assim, todos os projetos interdisciplinares estarão em relação com as demandas de uma determinada parcela da sociedade, acompanhando quais temas que são mais prementes para as especificidades daquela escola e da comunidade que está inserida.

Pedro Guimarães – Mestre em música na área de Etnomusicologia pela UNESP. Professor de Música e Arte Educador nas seguintes Instituições: Serviço Social da Indústria (SESI); Centro de Educação Unificada da prefeitura (CEU); Faculdade Anhembi Morumbi; e Instituto Paulo Vanzolini (Formação de Professores). Músico multi-instrumentista e compositor de trilha sonora.

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