{"id":287,"date":"2020-11-11T00:01:00","date_gmt":"2020-11-11T00:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/uniplenaeducacional.com.br\/blog\/?p=287"},"modified":"2020-11-06T12:31:41","modified_gmt":"2020-11-06T12:31:41","slug":"professor-produtor-de-conhecimento-na-rede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uniplenaeducacional.com.br\/blog\/professor-produtor-de-conhecimento-na-rede\/","title":{"rendered":"Professor produtor de conhecimento na Rede"},"content":{"rendered":"\n<p>Este artigo procura evidenciar o papel do professor sublinhando fatores que incidem sobre o campo simb\u00f3lico e subjetivo&nbsp; de sua representatividade. Neste sentido busca-se fazer uma cartografia sobre a identidade e a representatividade do professor a fim de estabelecer o seu papel na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento. O plano do conhecimento e o aporte simb\u00f3lico do professor s\u00e3o somados, na objetiva\u00e7\u00e3o deste artigo, a din\u00e2mica da rede. Hoje a rede de comunica\u00e7\u00e3o da internet pode ser considerada um fator atuante e integrante no processo de ensino\/aprendizagem influindo na gera\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Professor est\u00e1 hoje na eminencia de reformular seu papel diante do conhecimento e da sociedade. Seguindo esta premissa, centraliza-se o conte\u00fado como foco deste artigo . Como componente do saber escolar, o conte\u00fado \u00e9 condicionado por orienta\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas oficiais e pelas ci\u00eancias de referencia de cada disciplina. O professor tem o papel de efetuar os recortes para ajustar os conte\u00fados a serem trabalhados \u00e1s situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de ensino e realidades escolares.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Este artigo tem como objetivo elencar uma s\u00e9rie de procedimentos que o professor pode fazer para lidar com a din\u00e2mica de informa\u00e7\u00e3o e conhecimento promulgada pela internet e como ele pode produzir conhecimento no papel de orientador e mediador&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Coloco aqui algumas quest\u00f5es esclarecedoras que ser\u00e3o trabalhadas neste artigo: Quando o conhecimento \u00e9 informa\u00e7\u00e3o e quando o conhecimento \u00e9 conte\u00fado; Produ\u00e7\u00e3o de textos mediadores e orientadores diante de quest\u00f5es colocadas nas redes; Senso comum e conceito cient\u00edfico; narrativa e experi\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conhecimento e conte\u00fado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O verdadeiro conte\u00fado, na vis\u00e3o de Heloisa Dupas Penteado, \u00e9 o que \u00e9 significativo para o aluno. Neste sentido \u00e9 preciso estabelecer v\u00ednculos do conhecimento entre o global e local, regional e nacional, no caso de escolas que carregam a problem\u00e1tica de uma sociedade inclusiva. Os conhecimentos tamb\u00e9m se tornam significantes quando os conte\u00fados dizem respeito para as quest\u00f5es relevantes dos alunos, al\u00e9m de sua abordagem mais universal ou quest\u00f5es sociais mais amplas. Descobrir estes v\u00ednculos \u00e9 uma das tarefas do professor\/a. Portanto \u00e9 nessa media\u00e7\u00e3o que ele pode tornar um produtor de conhecimento, no relato pessoal de suas experi\u00eancias pedag\u00f3gicas ele pode produzir um material que ser\u00e1 de grande ajuda para outros profissionais. Na constru\u00e7\u00e3o do conte\u00fado o professor dialoga com o programa oficial, a partir de informa\u00e7\u00f5es que vem de seus alunos e de suas reais circunstancias de aprendizagem (que incluem circunstancias de escolaridade e de vida) (PENTEADO 2002 p187). Nesta forma de constru\u00e7\u00e3o de saber o professor pode se tornar um escritor\/produtor relatando o conhecimento surgido nas aulas. A veicula\u00e7\u00e3o deste conte\u00fado pode ser feita de v\u00e1rias formas: produ\u00e7\u00e3o de artigos; e-books; blogs etc&#8230;<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conhecimento e informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em um \u00e2mbito de trabalho voltado mais para a educa\u00e7\u00e3o tradicional, o conhecimento \u00e9 trabalhado a t\u00edtulo informativo sem a interven\u00e7\u00e3o dos alunos por meio de seus pr\u00e9-requisitos, sem historicidade. Muitas vezes n\u00e3o levando em considera\u00e7\u00e3o, o senso comum sobre os mesmos fatos estudados. Neste sentido, os conceitos e temas de um programa de ensino transformam-se em informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta forma o encontro do senso comum trazido pelos alunos com o conhecimento cient\u00edfico, n\u00e3o \u00e9 cogitado pelo ensino. Nesta forma de constru\u00e7\u00e3o do saber, n\u00e3o tem o que se relatar, o conhecimento reverte-se em uma c\u00f3pia.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o media\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A internet atualmente \u00e9 um complexo formado por redes sociais; plataformas digitais de veicula\u00e7\u00e3o de produtos; reposit\u00f3rios de artigos, teses e livros; e veicula\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos estes elementos deste complexo se relacionam pelo sistema de algoritmo que facilita a venda e a veicula\u00e7\u00e3o de conte\u00fado por meio da estipula\u00e7\u00e3o de perfis.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, a maioria das pessoas vive dentro deste campo de produ\u00e7\u00e3o, venda e veicula\u00e7\u00e3o. Portanto na linha de pensamento do hibridismo cultural, levantada por Artur Cancline, podemos concluir que cada vez menos se visualiza fronteiras e simboliza\u00e7\u00f5es demarcat\u00f3rias entre cultura rural e urbana; demarca\u00e7\u00f5es museol\u00f3gicas entre o antigo e o contempor\u00e2neo; e por \u00faltimo, existe uma fluidez das demarca\u00e7\u00f5es institucionais.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de demarca\u00e7\u00f5es culturais vai incidir na fragilidade das demarca\u00e7\u00f5es institucionais. No sentido que \u00e9 cada vez mais fr\u00e1gil neste meio complexo, que representa a internet, o papel das escolas e universidades, como institui\u00e7\u00f5es \u00fanicas do saber.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto h\u00e1 uma fluidez, por vezes, perigosa de todas as institui\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 ci\u00eancia, jornalismo, hist\u00f3ria, medicina, direito e outras. O perigo desta fluidez est\u00e1 nas distor\u00e7\u00f5es dos fatos hist\u00f3ricos e dos pressupostos \u00e9ticos e cient\u00edficos, misturando conhecimentos advindos de pesquisas sociais, hist\u00f3ricas e cient\u00edficas com concep\u00e7\u00f5es constitu\u00eddas somente de senso comum e que, sem nenhuma pesquisa, atestam supostas verdades.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste cen\u00e1rio, ser\u00e1 cada vez maior a necessidade de pesquisadores e mediadores em que se enquadra o professor\/a. Este profissional precisa se ater que n\u00e3o ser\u00e1 mais um trabalhador de sala de aula e sim um trabalhador desta complexa rede.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Senso comum e senso cient\u00edfico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;O conhecimento cient\u00edfico \u00e9 o conhecimento adquirido por m\u00e9todos cient\u00edficos e nos seus desdobramentos como pesquisa, levantamento de dados qualitativos e quantitativos, produ\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o, conclus\u00f5es e hip\u00f3teses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A sua elabora\u00e7\u00e3o exige tempo de pesquisa, compara\u00e7\u00f5es e monitoramentos. E mesmo posteriormente a todo este procedimento, ele ainda n\u00e3o \u00e9 conclusivo e est\u00e1 sempre aberto a novas considera\u00e7\u00f5es e debates.<\/p>\n\n\n\n<p>O conhecimento de senso comum \u00e9 tamb\u00e9m conhecimento, \u00e1 medida que resultam de informa\u00e7\u00f5es obtidas e trabalhadas segundo procedimento emp\u00edrico de pr\u00e1tica da vida (PENTEADO 2002. P.188).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;Uma das caracter\u00edsticas do senso comum \u00e9 a singularidade que \u00e9 muito rica para o trabalho coletivo somado ao conhecimento cient\u00edfico. Na sua singularidade a crian\u00e7a e o jovem trazem para sala de aula muitos problemas subjetivos enraizados na sua narrativa e na sua linguagem, que podem ser somados ao saber e experi\u00eancia escolar.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Narrativa e experi\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes as quest\u00f5es trazidas pelos alunos para sala de aula pode se tornar um estudo de caso ou uma pesquisa de campo. Algumas cren\u00e7as levantadas por pesquisadores sociais atestam este fato quando afirmam que s\u00f3 se conhece em profundidade alguma coisa da vida da sociedade ou da cultura, quando atrav\u00e9s de um envolvimento \u2013 em alguns casos um comprometimento \u2013 pessoal entre o pesquisador e aquele, que ele investiga (BRAND\u00c3O, 1999 p.8).<\/p>\n\n\n\n<p>Neste sentido as narrativas e experi\u00eancias que os alunos trazem s\u00e3o materiais que podem contribuir para a constru\u00e7\u00e3o de todo conhecimento. Este vi\u00e9s de pesquisa foi utilizado por Walter Benjamin (1892 \u2013 1940) fundamentando algumas perspectivas de an\u00e1lise no que diz respeito ao conceito de experi\u00eancia e sua rela\u00e7\u00e3o com as narrativas orais. Segundo Benjamim a hist\u00f3ria humana \u00e9 constru\u00edda na experi\u00eancia comum compartilhada pelos v\u00e1rios membros de uma sociedade calcada na mem\u00f3ria. Este autor aponta j\u00e1 na sua \u00e9poca para uma atrofia da experi\u00eancia, provocada pelas novas formas de sociabilidade criadas na modernidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Esta atrofia se da pelo desaparecimento das antigas formas narrativas substitu\u00eddas pela <em>informa\u00e7\u00e3o<\/em> dos jornais e mais tarde pela <em>sensa\u00e7\u00e3o<\/em> das linguagens televisivas, fotografias e cinema.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a atrofia da experi\u00eancia entra em crise a identidade de cada um, neste sentido ser\u00e1 preciso uma articula\u00e7\u00e3o do professor\/a para detectar estas singularidades e transforma-la em conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir de conceitos levantados por este artigo \u00e9 preciso um novo olhar para o papel dos professores na sociedade. Levando em conte que ele n\u00e3o est\u00e1 mais conectado fisicamente a uma espec\u00edfica sala de aula e sim a um campo complexo de culturas h\u00edbridas e conhecimentos compartilhados.<br><\/p>\n\n\n\n<p><strong>BIBLIOGRAFIA<\/strong><br><\/p>\n\n\n\n<p>BENJAMIN, W. (1989). Sobre Alguns temas em Baudelaire. Obras Escolhidas, v.3. S\u00e3o Paulo, Brasiliense.<\/p>\n\n\n\n<p>BRAND\u00c3O C. R. Repensando a Pesquisa Participante, S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p>PENTEADO H. D. Comunica\u00e7\u00e3o Escolar \u2013 Uma metodologia de Ensino. S\u00e3o Paulo: Salesiana, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>SAWAYA, S. M, Narrativas Orais e Experi\u00eancia: As crian\u00e7as do jardim Piratininga. In: Oliveira, ZILMA de M. Ramos (org.) A Crian\u00e7a e seu desenvolvimento \u2013 Perspectivas para se discutir a educa\u00e7\u00e3o infantil. S\u00e3o Paulo: Cortez 2000.\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:22% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"164\" height=\"164\" src=\"https:\/\/uniplenaeducacional.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Design-sem-nome.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-222 size-full\" srcset=\"https:\/\/uniplenaeducacional.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Design-sem-nome.png 164w, https:\/\/uniplenaeducacional.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Design-sem-nome-150x150.png 150w\" sizes=\"(max-width: 164px) 100vw, 164px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-small-font-size\"><strong>Pedro Guimar\u00e3es<\/strong>  &#8211; Mestre em m\u00fasica na \u00e1rea de Etnomusicologia pela UNESP. Professor de M\u00fasica e Arte Educador nas seguintes Institui\u00e7\u00f5es: Servi\u00e7o Social da Ind\u00fastria (SESI); Centro de Educa\u00e7\u00e3o Unificada da prefeitura (CEU); Faculdade Anhembi Morumbi; e Instituto Paulo Vanzolini (Forma\u00e7\u00e3o de Professores). M\u00fasico multi-instrumentista e compositor de trilha sonora.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo procura evidenciar o papel do professor sublinhando fatores que incidem sobre o campo simb\u00f3lico e subjetivo&nbsp; de sua representatividade. 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